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Opinião

Julho 29, 2013 08:05 PM

Leitura aconselhada: texto de João Rodrigues, no jornal Público de hoje.

 

«Qual destas três palavras não entendeu? Não há dinheiro. Assim falava Vítor Gaspar e assim ainda falam os que pretendem tornar permanente a política de austeridade depressiva: não havia, não há e não haverá dinheiro. Não havia dinheiro e daí a troika e o seu memorando. Não há dinheiro e daí a proposta pós-democrática do Presidente da República. Não haverá dinheiro e daí o segundo resgate, qualquer que seja o seu nome, com a mesma austeridade, desta vez sem o FMI. Todas as fraudes - do "vivemos acima das nossas possibilidades" ao "todos temos de fazer sacrifícios" - e todas as políticas que estas inspiraram nos últimos dois anos - da mais predadora vaga de privatizações aos cortes nos salários directos e indirectos - são tributárias do poder de, com três palavras, enganar os portugueses com a verdade.»

 

Texto na íntegra AQUI.

Julho 4, 2013 02:14 PM

Já leu e assinou a PETIÇÃO?

Julho 4, 2013 11:43 AM

Soube-se que as empresas públicas portuguesas entraram, ao longo da última década, em múltiplos instrumentos de gestão do risco financeiro, designados de swaps “exóticos” e “tóxicos” (ver caixa “swaps” e “swaps”). De acordo com os boletins informativos sobre o sector empresarial do estado (SEE), divulgados pela DGTF, existiam, no final do segundo trimestre de 2011, 142 swaps com valor contratual de €15,1 mil milhões e perdas potenciais equivalentes a mais de 10% desse valor, € 1647 milhões. Um ano e meio depois, em finais de dezembro de 2012, os swaps reduziram-se para 126, enquanto que o valor contratual contraiu 20%, para €12,1 mil milhões. As perdas potenciais, porém, aumentaram quase para o dobro, € 2840 milhões, havendo quem refira que ultrapassaram os €3 mil milhões.

Julho 3, 2013 10:40 AM

O Governo que tudo queria sacrificar para servir a dívida, afundou-se.
Deixa uma dívida maior do que a que encontrou.

 

Ainda falta a demissão e forçar uma nova Assembleia da Republica a pronunciar-se pela renegociação da dívida. Já assinou a PETIÇÃO?

Julho 1, 2013 06:07 PM

Renegociar a dívida para dinamizar a economia e promover o emprego.

 

Sem crescimento e produção de riqueza Portugal está impedido de sair da crise. Crise que se abate sobre a generalidade da população e põe em causa o nosso futuro colectivo. O país precisa de ter disponíveis recursos financeiros que permitam dinamizar a economia e promover o emprego. O pagamento da dívida esgota as capacidades financeiras nacionais e impede disponibilizar os recursos financeiros necessários ao investimento.

 

Renegociar a dívida com os nossos credores em condições favoráveis aos interesses de Portugal é a medida indispensável para travar o processo de retrocesso em que o país mergulhou e retomar o caminho do desenvolvimento que gere riqueza e bem-estar para todos. 

Junho 30, 2013 10:45 PM

Senti desde muito cedo que estava a ser montado um gigantesco aspirador financeiro. O capitalismo selvagem (não será liberalismo, porque esse anuncia baixar impostos e gostar de concorrência), é uma máquina de guerra, não nos iludamos, não usa pezinhos de lã...

 

Daí a necessidade de compreender (Ver para Agir), de forjar algumas armas, de combater! É de guerra que se trata, cerrar fileiras, unir forças e vontades.

Junho 29, 2013 11:20 PM

Porque concordo com a renegociação da divida em defesa  do interesse dos cidadãos e das cidadãs portuguesas e para isso é necessária uma adequada preparação do Estado português e a participação de cidadãos devidamente qualificados e independentes do poder.

 

Porque considero que é indispensável, para que  a economia portuguesa possa recuperar, uma redução drástica da dívida e do seu serviço.

 

Porque não aceito que o interesse dos credores se sobreponha ao interesse dos jovens, dos reformados e dos trabalhadores portugueses.

 

Porque o povo português está primeiro, é a verdadeira fonte de legitimidade, o único detentor do poder soberano.

 

Porque não aceito que o capital especulativo utilize o instrumento da divida para nos subordinar.

  

Porque não confio no Governo nem nos seus mandantes.

Junho 26, 2013 12:14 PM

Considera-se habitualmente que a dívida pública é sustentável se se espera que o seu valor (em percentagem do PIB) comece, a médio prazo, a descer.

 

No memorando assinado entre a troika e Portugal, bem como nas sete revisões já concluídas do programa português, essa é uma conclusão inabalável. Por mais que o crescimento caia ou que os défices aumentem, é certo que as previsões levarão invariavelmente a dívida a começar a descer em 2 ou 3 anos.

 

O problema é que estas previsões são baseadas noutras estimativas das componentes que determinam a evolução da dívida pública. Entre estas, as principais são o crescimento do PIB, as taxas de juro e o défice público. Se estes dados não forem credíveis, então também o não será a previsão da evolução da dívida.

Junho 22, 2013 06:21 PM

Lembram-se de Vítor Gaspar ter dito, no rescaldo da Sexta Avaliação da troika, que era preciso «decidir qual o modelo de Estado que queremos e como o podemos financiar de forma sustentada»? Para de seguida Abebe Selassie sentenciar que «cabe à sociedade portuguesa decidir que nível de protecção social deseja ter, que nível de impostos e qual o equilíbrio entre estas duas dimensões»?

 

Foi em Novembro de 2012 e a ideia era, basicamente, a de acenar com a promessa de descida de impostos, uma vez aceite - como condição - proceder a um «ajustamento» do Estado Social à suposta capacidade fiscal do país. Sucede, porém, que desde então se preparou um programa de cortes na função pública, nas pensões e nas despesas sociais, que atingirá os 4 mil e setecentos milhões de euros até ao final de 2014. Mas, então, e a descida de impostos? Pois, quanto a isso, esperem sentados: Passos Coelho assegurou que o governo está a trabalhar para aliviar IRS até 2015, mas não se compromete com a sua efectiva descida (ao contrário do IRC, claro).

Junho 19, 2013 11:11 AM

No passado dia 15 de Abril realizou-se no Clube Autárquico do Montijo um encontro intitulado da «Vilania à Cidadania», dedicado à apresentação e discussão do Relatório Preliminar da IAC, que contou com a participação, entre mais de seis dezenas de pessoas, de alunos de três escolas do ensino secundário. Alcídio Torres, dirigente do Clube Autárquico (e não vereador da CMM, como erradamente se referiu neste site), abriu a sessão colocando algumas questões muito interessantes. Eis alguns excertos da sua intervenção:

 

«O aumento da dívida pública foi originada não por despesas de carácter social mas por políticas absurdas, suicidárias e estúpidas da UE e do BCE.» Esta afirmação não foi produzida por um perigoso esquerdista de um qualquer partido da oposição, mas sim por um ex-comissário europeu.

Junho 17, 2013 11:27 AM

No jornal Público de hoje.

 

Com as intervenções da troika, uma parte importante da dívida grega e portuguesa passou de mãos dos credores privados, internos e externos, para a de credores oficiais – o FMI, o BCE e os fundos da União Europeia. Para isso serviram os resgates: para transferir dívida pública tóxica do sector privado para o sector público. Quem agora o reconhece, com a mais desavergonhada candura, é o FMI no relatório sobre a Grécia que recentemente veio a público: “Uma reestruturação à partida teria sido melhor para a Grécia, apesar disto não ser aceitável pelos parceiros do euro. Uma reestruturação atrasada também criou a janela para os credores privados reduzirem a sua exposição e mudarem a dívida para as mãos de credores oficiais (FMI, BCE e instrumentos europeus). Esta mudança ocorreu numa escala significativa e limitou um bail in (resgate envolvendo os detentores de títulos de dívida)… deixando os contribuintes e os Estados com a responsabilidade de pagar”.

 

Compreende-se assim que, “à partida”, os banqueiros não quisessem nada com a reestruturação da dívida. “Temos de evitar a reestruturação da dívida o mais possível porque se fizermos perder dinheiro àqueles que nos emprestaram dinheiro, esses não vão voltar a emprestar outra vez”, disse José Maria Ricciardi, segundo o jornal Sol, no dia 27 de Dezembro de 2011.

Junho 16, 2013 06:57 PM

“Certamente temos que pagar as nossas dívidas.”

Esta afirmação é tão poderosa que não é apenas uma declaração económica: é uma afirmação moral. Afinal, não é através do pagamento de dívidas que supostamente a moralidade é baseada? Dar às pessoas o que lhes é devido. Cumprir as obrigações para com os outros, tal como seria de se esperar que eles cumpram as suas respectivas obrigações para conosco. O que poderia ser um exemplo mais óbvio de fugir às responsabilidades do que se recusar a pagar uma dívida?

Este era o tipo de raciocínio que poderia fazer coisas terríveis parecerem totalmente triviais.

David Graeber[1]

 

Dívida, s. f.

1. Coisa que se deve.

2. Dinheiro devido.

3. [Figurado]Dever

4. Ofensa.

5. Pecado.

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

Sobre aquilo que é (juízos de facto) debruçam-se as várias ciências empíricas que estudam o mundo físico; sobre aquilo que deve ser (juízos de valor) debruça-se a ética. Assim, a questão “A dívidadeve ser paga “a todo o custo?” remete para o domínio da ética. E, dentro desta, para um problema específico da máxima relevância e, frequentemente, da máxima dificuldade: o problema da responsabilidade.

 

Numa dívida, como em muitos outros contextos do agir humano, coloca-se, então, a questão de saber quem é o responsável pela ação. Neste caso em particular trata-se de saber quem deve ser responsabilizado pela dívida: o devedor?, o  credor?, ou ambos?

Junho 14, 2013 04:25 PM

A Iniciativa para Uma Auditoria Cidadã à Divida (IAC) exprime a sua total solidariedade para com o povo grego, que viu, a pretexto de novas medidas de austeridade, o seu governo proceder ao encerramento do seu serviço público de televisão, a ERT, e ao despedimento dos seus 2.500 trabalhadores.

 

A IAC considera que uma decisão desta natureza representa um perigo inquietante e sem precedentes na Europa. É um atentado de extrema gravidade contra a liberdade de expressão. Mais, o silenciamento na Grécia de uma voz independente – que só um serviço público está em condições de assegurar - é uma situação intolerável não só para o povo grego, mas para os demais povos europeus.

Junho 10, 2013 04:56 PM

Este texto de Manuel Esteves foi publicado noJornal de Negócios, no passado dia 7 de Junho. Transcrevemo-lo na íntegra pela sua acuidade e, também, por citar a IAC como uma das fontes.

 

As divergências entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia não são de agora. Desde o início que ficou claro que a organização internacional privilegiava os desequilíbrios económicos, ao passo que Bruxelas se centrava sobretudo nas contas públicas.

 

O relatório interno do FMI, vindo a público esta semana, vem coroar esta relação difícil, mas, vale a pena sublinhar, também confirma que, no essencial, ambos os credores de Portugal estão de acordo quanto às políticas que os países em dificuldades financeiras devem seguir. E, para desgraça dos portugueses, confirma a via da austeridade como a única via admissível. Doa a quem doer.

Junho 9, 2013 12:24 PM

No início de Maio, o presidente do IGCP, João Moreira Rato, foi entrevistado pelo jornalista José Gomes Ferreira no programa «Negócios da Semana». Nesta eloquente entrevista (ver vídeo), quando inquirido sobre a dificuldade dos aforradores particulares subscreverem, em mercado primário, Obrigações do Tesouro [1], à semelhança do que acontece com a Reserva Federal Americana [2], o espanto e o embaraço do inquirido dizem mais do que um longo discurso. Revelam:

Maio 27, 2013 05:47 PM

Imagine que tem um crédito à habitação indexado à Euribor e receia que a taxa venha a subir. Imagine também que há um vizinho que lhe propõe fazerem uma troca: ele paga esse crédito a taxa variável e você paga-lhe a ele a mesma prestação mas com juros a uma taxa fixa ligeiramente superior. Apesar de ser um pouco mais caro, a proposta pode fazer sentido para si: elimina o risco das variações da taxa. No mercado financeiro, isto é o exemplo de um SWAP, que quer dizer literalmente «troca». Tem algum risco para quem aceita a parte variável, é claro, e depende sempre das perspetivas de evolução das taxas dos dois agentes, mas é relativamente transparente e não vai muito além do risco que já havia no conjunto dos dois vizinhos.

 

A coisa complica-se quando se entra em negócios mais complexos. Imagine que o vizinho lhe propõe a mesma troca mas com mais duas condições: a taxa mantem-se fixa mas salta 5% se o preço do ouro aumentar mais de 10% num ano e, se a Euribor subir acima de 5%, você tem de pagar o empréstimo todo de uma vez. Agora já não estamos só a falar de cobrir risco... Bem vindo ao casino!
 

Maio 13, 2013 12:42 PM

É verdade, vim tomar um cafézinho com o Presidente do BES. Não que ele me tenha convidado, ou eu a ele, mas depois de o ouvir na rádio, tive de o ler todo, na entrevista ao JN. E aproveitei-me da irresponsabilidade da minha formação não ser de economista; e do atrevimento da minha juventude (da mesma idade de RS); e do facto de sermos ambos filhos da escola (Reserva Naval - RN); para vir à conversa com este homem público (é isso, os homens públicos estão sujeitos a que o público se meta com eles...).

Maio 10, 2013 04:36 PM

O governo acabou de «encenar» [1] o lançamento do novo benchmark a 10 anos – a OT 5.65% Fev 2024 – através de sindicato composto por seis OEVT [2], a saber: Caixa BI, Goldman Sach, CAI, Citigroup, HSBC e Société Generale. Um dia após a atribuição do mandato, a operação foi colocada com um custo de 5.669%, equivalente à curva de swap+ 400 pb (4%) concedendo um prémio de 13 pb sobre a curva de OT naquele ponto [3].

Maio 6, 2013 07:09 PM

Dizem-nos que o governo tem de respeitar os compromissos internacionais de Portugal e que por isso tem de continuar a aplicar um memorando que não foi aprovado, nem sequer discutido, na Assembleia da República. Que tem de pagar a dívida até ao último cêntimo, nem que o último cêntimo seja retirado a um subsídio desemprego, um medicamento ou uma pensão de reforma.

Abril 16, 2013 12:23 PM

A Inspeção-Geral de Finanças tem em curso uma auditoria para «apurar os impactos e as responsabilidades associados a produtos de alto risco contratados pelas empresas do Estado e que acumulam perdas potenciais de três mil milhões de euros», lê-se no Público de segunda-feira. Entre os beneficiados por este mecanismo de especulação estão bancos que vão do BPN Paribas à Merril Lynch, passando pela JP Morgan, Caixa Geral de Depósitos ou Banco Espírito Santo, entre outros. As empresas mais afetadas são as de transportes. Aos cidadãos chega a fatura.

 

A instabilidade das condições de financiamento das empresas de transportes públicos deve-se, em parte, à especulação lançada pelos mercados financeiros sobre os países da periferia europeia, na qual se inclui Portugal. Esta estratégia é alimentada pelas instituições financeiras, principais intervenientes nos mercados financeiros, onde se transacionam os títulos de dívida pública, por exemplo. São igualmente as mais beneficiadas, pois conseguem obter taxas de rentabilidade com os empréstimos que efetuam muito superiores às alcançadas antes da crise financeira internacional.

Abril 11, 2013 12:32 PM

Amanhã ou depois será anunciado que, se o governo português descobrir novos cortes para substituir os cortes ilegais previstos no orçamento de 2013, a UE irá adiar alguns anos (talvez sete) a cobrança das dívidas. Chama-se a isto extensão das maturidades.

Abril 10, 2013 07:29 PM

Após a histeria coletiva em torno da situação económica e financeira de Chipre, chegou o momento de elaborarmos uma breve reflexão e retirarmos as devidas conclusões. Chipre não é um caso isolado. Devem ser efetuadas alterações estruturais no sistema.

 

O caso cipriota demonstra que as instituições europeias e internacionais são infinitamente criativas quando é necessário encontrar medidas para salvar o sistema financeiro. Mas a falha está a montante: desde 2007/2008 são prometidas medidas para controlar o instinto predatório do sistema financeiro, mas nenhuma medida de fundo foi tomada até ao momento. A falência do sistema financeiro cipriota demonstra claramente que os cidadãos continuam vulneravelmente expostos a novas crises financeiras.

Março 29, 2013 08:13 PM

«Os mercados tornaram-se demasiado grandes e complexos e evoluíram demasiado depressa para continuarem sujeitos à supervisão e à regulação do século XX. Não é de estranhar que esse Leviatã financeiro mundial esteja para lá dos horizontes de compreensão dos operadores do mercado, mesmo dos mais avisados. Os reguladores financeiros são responsáveis ​​por supervisionar um sistema muito mais complexo do que aquele que existia quando foram redigidos os regulamentos que ainda hoje regem os mercados.»[1]