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Comentário ao Ciclo de Cinema «A DÍVIDA SEM CORTES»

Foi há uma semana que o ciclo de cinema «A DIVIDA SEM CORTES», que decorreu no S. Jorge, encerrou. E não obstante os inevitáveis ajustamentos de última hora feitos ao programa, fruto da dificuldade em aceder a tempo e horas a alguns dos filmes, pode afirmar-se que a experiência foi positiva.

A experiência foi positiva, em primeiro lugar pela disponibilidade que revelou por parte de pessoas, das mais diversas, imprescindíveis para a concretização desta iniciativa da IAC. Gente do cinema que ajudou a pensar a programação, concedeu o apoio técnico de imagem e de som, garantiu a legendagem. Gente das artes que, generosamente, cedeu a imagem de um quadro para utilização no belíssimo cartaz. Gente, mais ou menos envolvida na nossa atividade, porém identificada com o nosso objetivo, daí disponível para colaborar na sua divulgação.

Foi positiva a experiência, ainda, pela entusiástica adesão que suscitou entre os realizadores dos filmes escolhidos e graciosamente cedidos. Todos eles pessoas que, não obstante as dificuldades, persistem em fazer cinema comprometido socialmente e se sentem gratificadas por o saber difundido. O Fernando Solanas, realizador de «Memoria del Saqueo», exibido no dia 10, sobre os demandos do capital financeiro e da corrupção, a partir da crise na Argentina. O François Manceaux, autor de «Portugal : Os caminhos da Incerteza», documentário que percorre o período que antecede o resgate do nosso país e traça, numa visão prospetiva, o quadro do desastre que se lhe seguiria. Finalmente, os autores gregos das curtas metragens sobre a Grécia. O Konstantinos Iordanau, autor do «Cheap Tickets», imagem breve sobre o mundo laboral, e o Demetri Sofianapoulos  que, com o seu «Thanassis», reflete, a partir do olhar de um cão, sobre as transformações profundas que encontra na vida das pessoas e da cidade. 

Em suma, uma experiência que devemos prosseguir, no próximo ano, com um ciclo de cinema num período mais alargado, considerando o enorme interesse que os cidadãos revelaram com a sua presença e com as suas encorajadoras manifestações de agrado em relação às obras exibidas. A par naturalmente de outras iniciativas, com destaque para o Encontro Nacional da IAC, agendado para o próximo dia 19 de Janeiro, no Instituto Franco Português, em Lisboa. Atividades todas elas a demonstrar que há uma guerra do capital desregulado que pode conduzir ao suicídio da nossa civilização. Também que há sinais de esperança, sempre que os cidadãos recusam a indiferença e participam na vida pública porque sabem que a sua intervenção pode fazer a diferença.