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Défice externo

A expressão “défice externo” é habitualmente usada para designar um saldo negativo da balança corrente. O défice externo não deve ser, portanto, confundido com o défice orçamental (ou público).

O défice externo resulta principalmente do défice da balança comercial, isto é, de um excesso de importações relativamente às exportações. Em Portugal, não se verifica um saldo positivo da balança comercial desde meados do século XX. Até meados dos anos 90 do século passado, o défice da balança comercial tendia a ser compensado, primeiro, pelas remessas dos emigrantes e, mais tarde, pelas transferências dos fundos estruturais da União Europeia e o investimento direto estrangeiro. As desvalorizações cambiais contribuíam também para manter sob relativo controlo o défice externo.

A partir de meados dos anos 90 do século passado, no quadro da aproximação ao euro, deixam de se verificar desvalorizações cambiais e as transferências unilaterais e os movimentos de capitais foram-se tornando insuficientes para compensar o défice comercial. À falta de transferências e movimentos de capitais que compensassem o défice comercial, o défice externo foi financiado a crédito. O défice externo é o que explica o elevado endividamento (privado e público) da economia portuguesa.