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Expresso: Passos diz que nível da recessão está dentro do expectável

http://expresso.sapo.pt/auditoria-cidada-quer-fatura-detalhada-da-divida-publica=f779925

Auditoria Cidadã quer fatura detalhada da Dívida Pública

 

Crises não pagam dívida é o lema do encontro da Iniciativa para a Auditoria Cidadã à Dívida Pública

 

Margarida Cardoso
17:36 Quarta feira, 16 de janeiro de 2013

 

Quanto devemos? A quem devemos? Porque devemos? Estas são perguntas simples que a IAC - Iniciativa para a Auditoria Cidadã à Dívida Pública quer ajudar o cidadão comum a responder, ao mesmo tempo que abre o debate a novas questões, como: "A dívida pode ser paga?"

Fundada há cerca de um ano, numa convenção que juntou mais de 700 pessoas, a IAC assumiu como objetivo "contribuir para a identificação das causas e das responsabilidades políticas do endividamento, assim como dos caminhos que nos podem libertar da armadilha da dívida".

Desde então, os membros da IAC investigaram causas e consequências da dívida, produziram documentos e criaram o Wikidivida, um glossário apresentado como "um tradutor economês-português, um descodificador de termos técnicos relacionados com dívida pública".

Sob escrutínio

No próximo sábado, sob o lema "Crises não pagam dívidas", promovem o seu primeiro Encontro Nacional para por à discussão um Relatório Preliminar do grupo técnico da IAC que condensa os resultados do primeiro ano de atividade, analisa o processo de endividamento e as suas causas, a composição da dívida pública e sua dinâmica, a relação entre dívidas privadas e públicas. Sob escrutínio estão algumas fontes específicas de dívida, das despesas orçamentais aos resgates bancários e parcerias público-privadas.

Sem esquecer a movimentação internacional em torno da necessidade de auditar dívidas e recusar políticas de austeridade, a IAC traz a Lisboa quatro convidados internacionais: o historiador e cientista político Eric Toussaint, que integrou o Comité pela Abolição da Dívida ao Equador, o francês Frederic Broccara, membro da organização Economistas Progressistas, o espanhol António Sanabria Martin, membro do conselho científico da ATTAC - Associação para a Taxação das Transações Financeiras e Apoio aos Cidadãos, e o inglês Nick Dearden, diretor do Jubilee Debt Campaign, organização do Reino Unido contra a "escravatura da dívida e pela justiça da dívida"

"A grave situação do país não dispensa o nosso trabalho, antes o torna mais premente e exigente. O sufoco da generalidade dos cidadãos, provocado pela política de austeridade, aumenta a nossa obrigação", referem os promotores do encontro, em comunicado.

O dilema da austeridade

É um trabalho que querem fazer com uma linguagem acessível a todos, combinando factos, números e opiniões, como mostra José Maria Castro Caldas, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade Coimbra, ao alertar "Precisa de Saber que....", um texto que cita o Banco de Portugal, o INE e o "Inquérito à Situação Financeira das Famílias 2010", para ajudar a afastar o sentimento de culpa que o cidadão comum poderia sentir ao ouvir dizer que "gastamos acima das nossas possibilidades".

Afinal, "a maior parte das famílias portuguesas (63%) não devia nada aos bancos nem às instituições financeiras" em 2010 e "quem deve é quem tem maior rendimentos riqueza (nos 10% das famílias com maior rendimento, 57,4% das famílias eram devedoras; no grupo das 20% com menor rendimento apenas 18,4% das famílias estavam endividadas)", recorda o investigador.

Quanto à pergunta "a dívida pode ser paga?", a posição da IAC é clara: "Dizem-nos que sim se fizermos sacrifícios, mas o que vemos são as previsões do endividamento a mudar em alta todos os dias" e "o peso da dívida não para de aumentar, em grande parte porque a riqueza produzida (PIB) não para de diminuir. O problema é precisamente este: a austeridade que nos dizem ser necessária para pagar a dívida está a fazer com que seja cada vez mais difícil faze-lo".