Share |

O Risco não Vem só dos Ventos do Deserto!

O risco pode vir do deserto! Este foi, basicamente, o aviso ontem lançado pela imprensa a propósito dos ventos transportados do Norte de Africa, vindos do deserto, que nos últimos dias têm pairado sobre o país, espalhando poeiras em elevadas concentrações, as quais constituem um risco agravado para a saúde pública, em particular, a de idosos, crianças e outros grupos de risco mais vulneráveis.

É um aviso que serve para que tomemos precauções, estejamos atentos ao risco, possamos agir em conformidade.

É um risco que, nos tempos em que vivemos, não é, porém, o único. Se olharmos à nossa volta, de Norte a Sul do país, a realidade que percecionamos é igualmente ameaçadora: novas empresas em falência, desemprego em roda livre, mais exílio forçado para jovens e menos jovens, aumento da pobreza, da incerteza e da desigualdade, elevado risco de desintegração social, colapso dos alicerces do estado social. Tudo isto a par de uma economia que, em cada dia, vai perdendo competitividade, definhando, regredindo e com ela arrastando o país para o colapso. É sem dúvida um perigo real, que arrisca tornar-se irreversível, num país punitivamente condenado a abdicar das obrigações assumidas com os cidadãos portugueses, para escrupulosa e exclusivamente as cumprir em relação a outrem, expiando pecados que não os nossos e adotando um gigantesco programa de medidas injustas, comprovadamente inúteis e condenadas ao fracasso, sem as questionar ou procurar negociar os termos impostos. Um comportamento submisso, acrítico e imprudente, que colide com a dignidade da pessoa humana. Programa ainda contrário à imperiosa busca de soluções e vias alternativas para ultrapassar os graves problemas económicos, sociais e ambientais, corrigir erros acumulados e desenhar caminhos diversos, de futuro e de sustentabilidade.

É preciso estar-se atento à soma dos sinais inquietantes, recusar a indiferença e agir, para nos protegermos dos riscos que podem inviabilizar o futuro.

Esta é uma responsabilidade nossa, enquanto pessoas que entendem que a cidadania não se esgota no cumprimento da lei, no pagamento de impostos e no exercício do direito de voto. Somos cidadãos preocupados com o futuro e reclamamos para nós o direito, e simultaneamente o dever, de intervir na sociedade, de conhecer tudo aquilo que em nosso nome foi assumido como compromisso de todos, participando do escrutínio dos seus exatos termos, valores, juros, prazos, das suas verdadeiras razões, da sua própria legitimidade.

O aviso também neste domínio está feito. Resta-nos vivamente desejar que outros se nos juntem, tomando precauções, evitando mais perigos, agindo com sentido de responsabilidade, para que finalmente, possamos começar a mudar de vida!

 

Revisão de Rita Veloso

Comentários

Esta ameaça é real (ventos dos desertos do Sara e do Sahel) já é visível em grande parte do arquipélago das Canárias, onde a nuvem de areia fina vinda do deserto é denominada Kalima e quando até há bem pouco tempo, aparecia de 10 em anos, agora é mais do que frequente e causa enormes problemas... Claro está que a media ao serviço do sistema, censura esta realidade e não lhe dá eco porque os interesses instalados são mais que muitos e se o Zé Povinho tomasse consciência do estado do planeta e começasse a mudar de comportamentos (tornando-se menos dependente do consumo, a economia mundial estourava e entravamos num caos sem saber como sair dele porque os grandes para fazerem dinheiro, precisam dos pequenos)...

O deserto está a avançar pela Península Ibérica mas não deveremos esquecer que antes de o deserto desertificar completamente a Península Ibérica, no que toca Portugal, o Governo Português tratará de se antecipar ao deserto e procurará exterminar-nos todos com as políticas que têm sido seguidas desde há 38 anos a esta parte... O Salazar (que eu pessoalmente não admiro) ao pé destes bandalhos que nos têm roubado diariamente era um menino de coro de uma igreja... Que se engane que se não enveredarmos por uma via revolucionária que vise derrubar este regime de partidos e que instaure um regime que sirva o Povo e que não se sirva do Povo, bem que podemos atirar a toalha ao tapete porque estes traidores cumprem apenas as ordens da NWO e dos Illuminati e estão a borrifar-se para quem eles queimam com as suas acções... Um exercício simples que a comunicação social vendida poderia fazer para fazer ver ao Povo a espécie de quem diz que nos governa era perguntar a cada um dos deputados se estivesse, por exemplo, na pele de um trabalhador, votaria a alteração à legislação laboral levada ontem a votação na Assembleia da República... Creio que nenhum votaria a favor se fosse assalariado...

Do ponto de vista estricto da Iniciativa Auditoria Cidadã, o texto é praticamente irrepreensível, e um chamamento à reflexão colectiva do que antecedeu.
Porém, para o leitor comum, cheio de ouvir análises sobre as origens e o desenvolvimento das crises (a crise decomposta em diferentes vertentes), outras sobre a necessidade de honrar a dívida, outras, ainda, sobre a ineficácia dos sacrificios, e outras, sobre o predomínio de uma certa economia para resolução do problema nacional, para além de outras que agora não me ocorre citar, parece-me que se torna necessário, como forma aglutinadora de resolução colectiva, que se pense sobre medidas futuras a adoptar de curto, médio e longo prazo, tendo por base o que se sabe da situação actual. Se a contracção económica não é bom alvitre, parece-me, também que a iliteracia (do ponto de vista da interpretação dos sinais) sobre organização sócio-política, político-jurídica,e demais intervenções do estado na vida da comunidade; sobre propósitos a estabelecer por uma democracia-participativa também não nos leva a lado nenhum, sendo, por isso,impeditiva de um projecto amplamente debatido e mobilizador das forças populares. Este projecto poderia dar corpo às soluções achadas mais adequadas para os portugueses, em contra-ponto às notícias governativas, que hoje são isto, e amanhã aquilo, mas coerentes no continuado aumento da pressão sobre a capacidade de sofrimento dos mais pobres, e dos que à deriva numa classe média em luta pela sobrevivência, se revelam desorientados, envergonhados, frustrados, e moralmente destroçados, prontos para receberem de braços abertos um qualquer sebastião providencial.
Acho que este espaço tem gente capaz para dar expressão a ideias verdadeiramente reformadoras, e que,a acontecer, podem conferir-lhe outra coerência e originem práticas inovadoras.