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Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB de um país ou região é o valor monetário de todos os bens e serviços finais produzidos durante um período determinado, deduzido do valor dos bens e serviços que foram utilizados para produzir o produto final. 

O valor acrescentado (VA) de uma unidade produtiva residente (nacional ou estrangeira) é a diferença entre a produção total e o custo das matérias-primas e produtos intermédios necessários para a produção. O PIB é a soma de todos os VA.

O PIB é também a soma de toda a despesa interna. A despesa interna inclui o consumo das pessoas, os gastos públicos, o investimento e o saldo da balança comercial (exportações menos importações), que é o conjunto da procura solvente na economia.

O PIB (na ótica do rendimento) é, finalmente, a soma dos rendimentos de todos as pessoas na economia em causa, sejam trabalhadores (salários e pensões), sejam empresários (lucros), sejam ainda outros rendimentos (juros e outros).

Estas definições são contabilisticamente equivalentes e o valor do PIB pode ser obtido indistintamente através de qualquer delas.

O PIB é muito utilizado como comparador da atividade económica no tempo e no espaço. Apesar disso é uma medida insatisfatória.

Em primeiro lugar, o PIB baseia-se no valor da produção realizado para o mercado e em estimativas do valor mercantil da produção do Estado e da produção familiar de bens que poderiam ser vendidos no mercado. De fora fica uma grande parte da produção doméstica (preparação de alimentos e vestuário, cuidados pessoais diversos, por exemplo). No entanto, a produção doméstica (e em menor medida a voluntária) tem uma enorme importância. Embora não existam medidas fiáveis do valor monetário desta produção, estima-se que cerca de 40% do trabalho social é realizado no âmbito da família.

Em segundo lugar, o PIB não contabiliza a produção da economia subterrânea, ou paralela, cujas estimativas variam muito.

Em terceiro lugar, não tem em conta o valor do tempo de lazer. Na ótica do PIB bens e serviços produzidos numa semana de 40 horas com o dado valor de mercado, têm o mesmo valor que bens e serviços, com o mesmo valor de mercado, mas produzidos numa semana de 30 horas.

Em quarto lugar, não tem em conta as diferenças nas condições em que o trabalho é efetuado. Produção com um dado valor de mercado que acarreta grandes riscos ou tem consequências sérias na saúde dos trabalhadores, vale o mesmo do que qualquer outra vendida ao mesmo preço. As despesas de saúde, de resto, seriam contabilizadas no PIB como produção.

Em quinto lugar, o PIB contabiliza mal o desperdício e o lixo que a produção e o consumo envolvem. O computador é contabilizado, ao mesmo tempo que a reciclagem dos computadores obsoletos é contabilizada de novo como produção. Paradoxalmente, a invenção de um computador biodegradável faria baixar o PIB.

Em sexto lugar, o PIB não tem em conta que produzir bens (coisas que as pessoas desejam) é normalmente acompanhado da produção de males (coisas que as pessoas não desejam). O caso da poluição é evidente. Os impactos ambientais negativos não são contabilizados e este é porventura hoje o problema mais sério desta medida.

(Baseado em Louçã, Francisco e Caldas e José (2010), Economia(s), pp. 34-38).