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Sábado: Consultora acusada de parcialidade

http://www.sabado.pt//Ultima-hora/Sociedade/Consultora-acusada-de-parcialidade.aspx?id=449832

A Ernst & Young é acusada de falta de imparcialidade e de independência, pelo grupo Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública

A consultora Ernst & Young é acusada de falta de imparcialidade e de independência, pelo grupo Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública. Em comunicado enviado hoje às redacções, este grupo queixa-se de que o “conflito de interesses põe em causa a validade e a credibilidade de auditoria às PPP (parcerias público-privadas)”.

O governo adjudicou à Ernst & Young a auditoria a 36 PPP e a 24 concessões, através de um concurso público em Dezembro, onde também concorreram a Universidade Católica, a PricewaterhouseCoopers, PKF e BDO. O serviço custará ao Estado 250 mil euros.

O conflito de interesses coloca-se quando a mesma consultora trabalha para “parte interessada, isoladamente ou em consórcios, em várias das PPP e concessões sujeitas à auditoria adjudicada à Ernst & Young”. Algumas das empresas envolvidas são a Lusoponte, Auto-Estradas do Atlântico, Auto-Estradas Túnel do Marão, Hospital de Braga, etc.

Para o grupo de cidadania, “este é um caso flagrante do conflito de interesses que pode afectar os consultores externos”.

João Camargo, um dos membros da equipa técnica, composta por 30 pessoas (entre as quais, jornalistas, economistas e juristas), diz à SÁBADO que este comunicado foi feito após a análise dos Relatórios e Contas das empresas, a quem a Ernst & Young já presta serviços de auditoria, na parte de revisão e fiscalização financeira. “A consultora nunca deveria ter-se candidatado a concurso e o Estado jamais deveria ter aceite. A auditoria jamais será independente.”

Sobre o funcionamento das PPP, João Camargo mostra-se apreensivo. Considera-as “uma porta de saída de dinheiros públicos e garantia de lucros para os privados”.

Com este comunicado, esperam obter alguma reacção do governo. Ainda esta tarde, o grupo reuniu-se para analisar mais medidas de protesto contra este conflito de interesses. A Ernst & Young não quis prestar declarações à SÁBADO, alegando que “mantém a tradição de nunca fazer comentários sobre clientes.”