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Sobre o Seminário de 29 de Junho

Realizou-se em 29 de Junho, das 14:30h às 19:00h, nas instalações do STEC – Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD, o seminário organizado por este sindicato em conjunto com o SPGL – Sindicato Professores Grande Lisboa, o STAD – Sindicato Atividades Diversas e o SFJ – Sindicato Funcionários Judiciais, em colaboração com a IAC – Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida.

Na primeira parte, moderada por Olinda Lousã, da direção do STEC, foram oradores os economistas José Maria Castro Caldas, Alexandre Abreu e Mariana Mortágua, que expuseram a uma plateia de cerca de 70 sindicalistas a sua visão e análise da situação de crise que afeta Portugal no contexto da última década na Europa e no Euro.

As suas apresentações focaram-se nos aspetos da dívida (pública e privada), tentando fornecer chaves para a sua compreensão. Houve vivo debate e vários pedidos de esclarecimento da assistência, antes de passar à segunda parte, após intervalo.

Seguiu-se uma mesa-redonda, em que Henrique de Sousa, ativista e estudioso do movimento sindical, moderou a mesa composta pelos presidentes/coordenadores de 3 dos sindicatos organizadores – STEC, SPGL e STAD – respetivamente João Lopes, António Avelãs e Carlos Trindade. Além de uma breve análise da crise que a todos afeta, especialmente aos trabalhadores, fez-se uma reflexão sobre o que fazer, da parte dos sindicalistas, com todo o conhecimento privilegiado que ali tinha sido «traduzido», para além da frieza de gráficos e números.

Um dos propósitos da IAC é precisamente este: promover e replicar por associações de todo o tipo (sindicais ou não), o esclarecimento liberto e alternativo com vista à saída da crise.

Comentários

As iniciativas cidadãs devem ter muito cuidado, para que não se confundam as acções em favor - ou promovidas pelos que não têm voz púbica, mas sentem-se com o direito de intervir nos destinos da sociedade onde se integram - com outras correntes que não passam de transmissoras de ideários político-partidários. Refiro-me aos cidadãos anónimos, não destituídos de aptidão para pensar, e capazes de contribuir para as melhores soluções em ambiente democrático.
Este seminário, sob a égide de uma agremiação de sindicatos, não pode deixar de espelhar as orientações dos partidos que lhes dão suporte, e, por isso, não deixam de reflectir neste espaço as "lutas" políticas que decorrem em sedes de governo e parlamento. Afinal, aquilo de que os media se alimentam, e transmitem a sensação de que existe uma oposição original, com laivos de remediar os males do país que, ciclicamente, se renovam conforme a dança das cadeiras e a detenção do poder político.
Na verdade, todos sabemos que há diferentes maneiras de progredir na vida política: pelo destino dos compadres, pela maçonaria, e pela "confiança" seguidista das jotas e dos sindicatos. Os sindicalistas são eleitos nos diferentes locais de trabalho, ou nos respectivos sindicatos, porque se apresentam a escrutinio integrados por listas de patrocínio partidário, e toda a gente conhece as cassetes de cada lista, bem como o grau reivindicativo ditado pela maior ou menor proximidade ao poder político. Mas os sindicatos ainda se arrogam de ideólogos das classes, pelo que também se promovem em seminários, onde, de maneira mais ou menos capciosa ganham a confiança dos representados, quer, por um lado, a exibir peso político e importância relativa na estrutura partidária, quer, por outro, a melhor condicionar o querer e as necessidades dos sindicalizados.
Isto é, se no actual regime houve sindicalistas que ganharam grande notoriedade e contribuíram para os resultados dos seus partidos, revelando grande capacidade de dialética, de manipulação e mobilização; no antigo regime corporativista houve sindicalistas igualmente célebres por terem combatido o estado ditatorial, a par dos outros que apenas propunham a harmonia das relações laborais sob a batuta dos governos, tal e qual se vem manifestando, e consubstanciando duas formas de regular as políticas laborais de maneiras radicalmente opostas, mas com resultados igualmente seguros face à expressão do poder. Em resumo, os sindicatos são uma forma dissimulada de supressão das capacidades individuais e colectivas para a negociação, e ainda parecem anjos da guarda.
E, já agora, a acção sindicalista deve ser tão boa, ou tão ingrata, que há sindicalistas que se eternizam, sem que das suas acções resultem evidentes benefícios para as classes que representam. E outros que, quando regressam ao activo, normalmente, é-lhes reconhecida (por quem?) a actividade meritosa e são reintegrados com promoção na escala hierárquica. Os melhores, provavelmente, farão parte daquele escol de eleitos, que passam a integrar listas partidárias para cargos de mínima responsabilidade (deputados, autarcas), mas com satisfação garantida. Haverá excepções? Que bom!
JD

É a coberto do anonimato que se produzem este tipo de declarações... JD até poderia ser "JB" ou um qualquer "walker", cuja visão turva da democracia apresenta os partidos como inicio e fim do sistema. Errado!!! Se analisar profundamente, o sistema mais democrático atribui ao Sindicalismo o mesmo peso social que atribui aos partidos politicos. Essa é a beleza da democracia completa e avançada! É no local de trabalho que mostramos o que valemos! Quer como pessoa, quer profissionalmente! Ali estão expostas as fragilidades e as qualidades dos individuos que escolherão, dentro dos seus pares, quem consideram o seu melhor representante. O problema reside no patronato que "abate" sistematicamente o sindicalismo, ora "subornando" aquele sindicalista com algum grau de perigosidade, ora denegrindo ou bloqueando a progressão deste dentro da empresa. POr esse motivo os melhores têm medo de representar a classe. A maioria tem uma familia para sustentar!
Em nenhum lado se vê, como num delegado sindical, a disponibilidade de falar sobre os problemas e de tentar chegar aos responsaveis para corrigir o errado. E se um delegado sindical não cumpre com aquilo que se espera dele, é substituido por outro que faça ou tente fazer! Em inglês sindicato é "UNION", união! É isso que nós todos deviamos preconizar! A NOSSA UNIÃO! Só com sindicatos fortes, e independentes do poder politico se alcança equilibrio com aqueles que são eleitos para nos representar. Os sindicatos são mais uma forma de escrutinio da representação politica do que seu instrumento! Só que h´´a JDs que ainda estão presos ao antigamente... com medo! Com muito medo!!!