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TVI24: Querem uma comissão de auditoria à dívida aberta aos cidadãos

http://www.tvi24.iol.pt/politica/auditoria-divida-cidadaos-tvi24/1421171-4072.html

Querem uma comissão de auditoria à dívida aberta aos cidadãos

Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida esteve reunida com o Bloco de Esquerda

O economista José Castro Caldas defende que o Parlamento deveria criar uma comissão de auditoria à dívida, composta por responsáveis de instituições públicas e aberta aos cidadãos, que «permita aumentar a consciência da sociedade portuguesa».

«Nós defendemos que a Assembleia da República devia constituir uma comissão de auditoria e de preparação da renegociação», afirmou Castro Caldas, um dos responsáveis da Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida (IAC), após uma reunião com os coordenadores do BE.

José Castro Caldas referiu que «não se trata de uma comissão parlamentar, mas de uma comissão que represente a reunião num corpo de todos os recursos de que o Estado dispõe para analisar o problema do endividamento e da reestruturação da dívida».

A comissão, acrescentou, seria composta «por pessoas que participam em diferentes instituições públicas e que têm boa parte do conhecimento», mas aberta «à participação cidadã, com um funcionamento transparente e que informe e permita aumentar a consciência da sociedade portuguesa acerca do que está em causa».

O economista defendeu que precisa de uma «reestruturação profunda» para sair da «armadilha da dívida» e não «de uma modificação meramente cosmética das condições de pagamento».

Para José Maria Castro Caldas, o prolongamento das maturidades «é como se alguém estivesse com água pelo pescoço e lhe retirassem o único centímetro necessário para continuar a respirar».

«O que está inscrito nas condições do memorando é uma situação em que durante décadas o país estaria condenado a expatriar toda a sua poupança, privando-se de toda a capacidade de investimento, de criação de emprego, de desenvolvimento», advertiu.

Neste contexto, o professor da Universidade de Coimbra disse que só uma «reestruturação profunda da dívida junto dos credores privados e oficiais» permitirá «libertar recursos do Orçamento e da economia portuguesa para a criação de emprego, através do investimento» e abandonar «o percurso recessivo».

«Trata-se de uma renegociação que tem de reduzir os juros que a dívida privada paga, como provavelmente os juros que o país paga pela sua dívida externa, uma reestruturação que tem de abranger a dívida pública e provavelmente parte da dívida bancária», declarou.

Para Castro Caldas, esta negociação para uma «reestruturação profunda» deve começar «rapidamente, antes que a situação se degrade muito mais». «Quem empobrece não paga dívidas», disse.